SELEÇÃO DE EXPOSIÇÕES RECENTES
 

Individual - "METAMORPHOSIS IV" - Instituto Internacional Juarez Machado, Joinville / SC / Brasil, 2016
Individual - "SOBRE ÁGUAS" - Museu Metropolitano de Arte - MuMA, Curitiba / PR / Brasil, 2016
Individual - "SOBRE ÁGUAS" - Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina - MIS / CIC, Fpolis / SC / Brasil, 2016
Individual - "ONDAS DE LUZ" - XX Bienal de Curitiba / Museu Metropolitano de Arte - MuMA, Curitiba / PR / Brasil, 2015
Individual - "DEFININDO TEMPO" - Helena Fretta Galeria de Arte, Fpolis / SC / Brasil, 2014
Coletiva - “Diálogos Expostos" Abertura Espaço II - Fundação Cultural Badesc, Fpolis / SC / Brasil, 2014
Coletiva - “Interferências - Scott MacLeay e Convidados: O Caminho para Florianópolis”, -  Espaço Lindolf Bell - CIC, Fpolis / SC / Brasil, 2014
Coletiva - "Perspectivas (s)", - Galeria de Arte Helena Fretta, Fpolis / SC / Brasil, 2014
Coletiva - Fotografia(s) Contemporânea Brasileira: Imagens Vestígios e Ruídos - Museu de Arte de Santa Catarina - MASC , Fpolis / SC / Brasil, 2013
Coletiva - Na Fotografia - Fundação Cultural Badesc, Fpolis / SC / Brasil, 2012
Coletiva - Cidades Quase Invisíveis - "Instantâneos Fragmentos" - Fundação Cultural BRDE, Fpolis / SC / Brasil, 2011
Coletiva - "Snapshot Fragments" - Orchard Art Gallery, Bethesda / Washington / EUA, 2011
 

 

 

 

METAMORPHOSIS IV

Instituto Internacional Juarez Machado, Joinville / SC / Brasil - 2016

Arte é transformação em vários níveis. É uma linguagem em constante evolução, cujas regras de sintaxe são simultaneamente enraizadas no respeito pelas referências históricas e na rejeição da zona de conforto representada por essas mesmas tradições.
Artistas contemporâneos encontram-se, muitas vezes, em um estado de fluxo permanente, o qual garante que as perspectivas sobre o mundo ao seu redor estejam sempre em evolução. Às vezes pequenas, às vezes grandes, mas sempre significativas, essas mudanças, as investigações que provocam e as obras que inspiram, podem fornecer uma visão íntima da experiência de transformação - que, literalmente, define a existência do artista, mesmo que por um breve momento.
Metamorphosis IV representa a jornada de três anos de Marco Giacomelli que transcende o visível e celebra o desenvolvimento de uma linguagem visual inovadora que potencializou a sua partida das interpretações representacionais do mundo ao seu redor. A exposição reúne, pela primeira vez, os trabalhos de sua trilogia: SOBRE ÁGUAS – TANGÍVEL/INTANGIVEL – BAMBU, OUTRAS PERSPECTIVAS, três viagens inspiradas pelo ambiente natural único de sua ilha natal de Santa Catarina.
De natureza inerentemente modular, as obras nunca são apresentadas da mesma maneira ou configuração. Esta exposição marca sua quarta mutação. Cada exposição é um renascimento, uma perspectiva inteiramente nova sobre os elementos que leva em conta o novo ambiente em que habitam - um estudo sobre o poder da justaposição e interdependência para modificar a percepção. Como um indivíduo em um novo ambiente, cada obra involuntariamente revela facetas anteriormente desconhecidas de seu ser, transformando a interpretação e alterando a pertinência de formas até então inexploradas e inesperadas.
Escolher investigar o poder da abstração em trabalhos que versam sobre paisagens não reflete de maneira alguma a rejeição de conteúdos visualmente explícitos. É simplesmente uma celebração tanto do palpável quanto do imponderável, do permanente e do efêmero, com base nas experiências emocionais e sensações instigantes despertadas pelos parâmetros em questão. No fim do dia, o único limite do poder de abstração em revelar uma verdade pessoal pertinente é a nossa imaginação.

Scott MacLeay / Curador

 

 

 

SOBRE ÁGUAS

MIS/CIC - Museu da Imagem e do Som, Florianópolis / SC / Brasil - 2016
MuMA - Museu Metropolitano de Arte, Curitiba / PR / Brasil - 2016

 
 

Se, em qualquer senso universal, a arte serve a um propósito social, este é o de estimular a reflexão aberta por meio de um amplo espectro de pessoas, sem a preocupação de dirigir ou orientar os pensamentos resultantes de alguma maneira particular ou em qualquer direção. Quando poderosa, ela é capaz de criar narrativas não-lineares que nos transportam para destinos desconhecidos, para novos níveis de percepção de nós mesmos e do mundo que nos rodeia. Sua pertinência deriva diretamente da intensidade da experiência pessoal do artista e da integridade que emoldura a transformação desta experiência em uma obra ou conjunto de obras. Ela é a perspectiva em sua forma mais pura, unindo as percepções emocionais, intelectuais e psicológicas e cuja finalidade é de questionar a nossa própria relevância e nossos pontos de vista.
Sobre Águas é a experiência multifacetada de um homem com água - a água como fonte de vida, a água como um ambiente hostil, a água como base para meditação e reflexão, a água como um parque infantil, em suma, a água como uma metáfora para o universo e sua neutralidade incomparável acerca das questões de prazer e dor, de vida e morte.
Marco Giacomelli criou um ambiente no qual ficamos face a face com a nossa insignificância quando confrontados por um elemento cuja existência aparentemente eterna ultrapassa nossa presença efêmera. A exposição fala alegoricamente do misterioso poder da água em interrogar e desvelar verdades escondidas sobre o nosso caráter. Este trabalho não é para ser consumido como um produto; é para ser vivido e, como tal, reivindica a colaboração do espectador. Ele contém os segredos da jornada de descoberta de um homem e tudo o que acompanha tal exploração: a dúvida e a instabilidade expressa de Águas Incertas; a constante evolução dessas forças invisíveis que moldam nossas vidas, em Águas Instáveis; os enigmas que emergem da importância muitas vezes ignorada das pequenas diferenças entre os elementos/acontecimentos e personalidades em Águas Revoltas.
À primeira vista, a complexidade da abstração empregada como veículo de expressão pode levar a considerar erroneamente a exposição como uma experiência labiríntica. Aqui não há saídas. A exposição é um quebra-cabeça sem uma solução racional. Ela imita a vida. Como toda obra generosa, oferece tanto quanto estamos dispostos a dar e o que ela tem para oferecer são perguntas. Algumas são de natureza retórica, enquanto outras procuram bem claramente respostas da parte do espectador. Não há nenhuma razão oculta aqui, apenas a verdade de um homem com base em intensas experiências pessoais vividas e os questionamentos íntimos inevitavelmente gerados por tal intensidade. Quando concebida e compartilhada, representa relevância social na sua forma mais pura.

Scott MacLeay / Curador

 

Catálogo da Exposição

 
 

 

 

ONDAS DE LUZ

XX Bienal de Curitiba, Museu Metropolitano de Arte - MuMA, Curitiba / PR / Brasil - 2015

 
 

Algo acontece quando desmascaramos a pretensão da verdade fotográfica e contestamos obsessões com representação material – algo emocionante e desafiador, algo que vale a pena explorar. O trabalho de Marco Giacomelli oferece uma oportunidade de participar em seu dialogo com a natureza. Ele a percebe como um fluxo de diversas formas de energia a serem exploradas sob múltiplas perspectivas. Natureza é uma jornada. Esta verdade não pode ser traduzida por simples representações visuais de momentos estáticos

Scott MacLeay / Curador

 
 
 

 

 

DEFININDO TEMPO

Helena Fretta Galeria de Arte, Florianópolis / SC / Brasil - 2015

 
 

A história da arte é pavimentada com traços de artistas visitando e revisitando conteúdos que invariavelmente compreendem o nosso universo. Artistas não inventam novos conteúdos. Na melhor das hipóteses, quando são inovadores, oferecem diferentes perspectivas sobre matérias já desgastadas, na interminável busca de um entendimento mais profundo sobre nós mesmos e o mundo ao nosso redor.
A relevância do trabalho não depende do artista saber para onde está indo; e sim da honestidade e integridade da jornada, bem como da amplitude dos riscos que a curiosidade natural pela investigação os obriga a tomar. Assim, o verdadeiro trabalho realizado sem medo do fracasso tem relevância social.
Definindo Tempo é uma coleção de tais obras. Elas são audaciosas e substanciais. Há força e desafio. Ambiguidade e incerteza. Existem fluxos e encontros sinergéticos. Há volúpia e uma inebriante supressão da reverência a certas tradições fotográficas no modo em que o gênero paisagem é aqui revisitado. Não há frívolas discussões opondo analógico contra digital. Com curvas que traçam trajetórias não-lineares, lembrando as esculturas monumentais de Richard Serra, as presentes imagens constituem uma forma de land art bidimensional, confrontando-nos e nos desafiando ao diálogo.
Escala e qualidades cromáticas são exploradas para investigar uma forma de abstração que escapa dos clichês normalmente associados ao trabalho conceitual não-representativo - que é frio, que é “sobre nada” além do trabalho em si. Poderosamente autobiográfica, esta obra também é sobre mim e você, sobre nossa dificuldade em aceitar mudanças e sairmos de nós mesmos.

Scott MacLeay / Curador