"Meu trabalho é abstrato. É naturalmente conceitual. Por isso, quero dizer, para mim, a abstração não é metafórica, nem é uma tentativa de transformar o que vejo. A própria essência do meu relacionamento com a natureza é abstrata. É a maneira como eu experimento o meu ambiente. Não me sinto à parte da natureza. Sou um elemento interativo e integrativo de sua constituição.

O crescimento contínuo formado por minhas experiências físicas, perceptivas, psicológicas e emocionais dentro da natureza, define meu trabalho a qualquer momento que seja. A intimidade e a complexidade dessa interação dinâmica se expressam no desenvolvimento de novas perspectivas e linguagens necessárias para dar vida visual concreta e áudio à evolução contínua da minha percepção do meu lugar na natureza.

Geralmente escolho criar novas obras quando percebo movimentos particularmente importantes no relacionamento que sinto originar pelo mérito da exploração. Suponho que se poderia considerar estes como estágios de desenvolvimento não muito diferentes dos que caracterizam a evolução das relações de uma multiplicidade mística."

MARCO GIACOMELLI