"Meu trabalho é abstrato. É naturalmente conceitual. Por isso, quero dizer, para mim, a abstração não é metafórica, nem é uma tentativa de transformar o que vejo. A própria essência do meu relacionamento com a natureza é abstrata. É a maneira como eu experimento o meu ambiente. Não me sinto à parte da natureza. Sou um elemento interativo e integrativo de sua constituição.
O crescimento contínuo formado por minhas experiências físicas, perceptivas, psicológicas e emocionais dentro da natureza, define meu trabalho a qualquer momento que seja. A intimidade e a complexidade dessa interação dinâmica se expressam no desenvolvimento de novas perspectivas e linguagens necessárias para dar vida visual concreta e áudio à evolução contínua da minha percepção do meu lugar na natureza.
Geralmente escolho criar novas obras quando percebo movimentos particularmente importantes no relacionamento que sinto originar pelo mérito da exploração. Suponho que se poderia considerar estes como estágios de desenvolvimento não muito diferentes dos que caracterizam a evolução das relações de uma multiplicidade mística."

MARCO GIACOMELLI

 
 
 

MATÉRIA - 2016 / 2017 - Neste projeto, optei por mergulhar na materialidade densa que define a especificidade gráfica e tátil de um determinado ambiente, desconstruindo seu perfil físico usando sua própria matéria como ferramenta transformadora, interferindo assim com sua evolução natural. Este estudo sobre interferências materiais me permitiu entender melhor o poder inerente de qualquer material para remodelar e redefinir seu significado relativo, proporcionando uma compreensão mais clara dos processos evolutivos dinâmicos implícitos em todas as relações concretas.

 
 
 

TANGÍVEL INTANGÍVEL - 2015 / 2016 - O que acontece quando substituímos a priorização de utilizar nossa câmera para congelar momentos no tempo pelo estudo da evolução de uma situação ou de um processo de pensamento é muito mais interessante pois, o que antes era o ato de parar o tempo, transforma-se no ato de examinar o fluxo dinâmico – e muitas vezes incontrolável – de energia que define a situação no espaço e no tempo. Uma situação é algo vivo. Em tal contexto, o ato de tirar uma foto torna-se apenas um dos elementos que compõem a justaposição complexa de múltiplas perspectivas. Torna-se o estudo das evoluções. A noção de diálogo substitui a noção de envio de mensagens e a realidade assume um sentido inteiramente novo.

 
 
 

BAMBU, OUTRAS PERSPECTIVAS - 2015 - A fotografia é muitas vezes considerada sinônimo da noção de representações visuais de momentos ou contextos considerados importantes por um valor simbólico social ou estético. Tais abordagens tradicionais geralmente enfatizam as qualidades estéticas implicadas na matéria do assunto. Esta série não é sobre a aparência do bambu. Ao contrário, recria a experiência incrivelmente rica e exuberante de encontrar inebriantes nichos de bambu em ambiente natural. É uma narrativa não-linear acerca dos sonhos que tal experiência inspira.

 
 
 
 

SOBRE ÁGUAS REVOLTAS - 2014 - Estes dípticos de Águas Revoltas são enigmas. Eles falam de pequenas diferenças sutis, aparentemente insignificantes, de vários tipos, diferenças que muitas vezes são erroneamente consideradas sem importância em nossas vidas diárias. São espelhos que zombam de nossa tendência à simplificação. São enigmas que empregam imagens repetitivas para banalizar diferenças, em uma tentativa de nos despertar do sono profundo da vida contemporânea e seu fascínio, mal colocado, com tudo que é exagerado e grande. Aqui, o foco é nestas pequenas diferenças que podem ter consequências extravagantemente grandes. São trabalhos confiantes que questionam o que temos para trazer aos mesmos.

 
 
 
 

SOBRE ÁGUAS INSTÁVEIS - 2014 - O que não vemos é mais importante do que o que vemos. É a medida do nosso desconhecimento. Na fotografia, normalmente consideramos o que não é visto como o que se encontra além do frame da imagem. Em Águas Instáveis, os elementos invisíveis residem nas próprias imagens, abstrações latentes esperando para serem descobertas, cuja presença palpável é alcançada pelo formato evolutivo de seis sequências progressivas que compõem a série. Assim como o silêncio na música, a invisibilidade cumpre um importante papel na estruturação deste trabalho. Assim como a música em si, o tempo tem um papel fundamental aqui. São trabalhos para serem experienciados, não apenas observados.

 
 
 
 

SOBRE ÁGUAS INCERTAS - 2013 / 2014 - Um certo grau de equilíbrio é essencial para o estabelecimento de metas e o processo. Um certo grau de desequilíbrio é essencial para a compreensão de quem somos e para onde queremos ir e por quê. Sobre Águas Incertas é um estudo acerca da estabilidade e da fragilidade que lhe é intrínseca. A série disseca a relação entre o movimento e o nosso confronto com o mesmo e também como a dualidade equilibrio/desequilibrio afeta nossa perspectiva. É uma parábola, uma lição de tolerância.